Franz Anton Mesmer

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Franz Anton Mesmer.

"Franz Anton Mesmer (1734-1815) nasceu na Suábia em 23 de maio. Com nove anos entrou em uma escola monástica. Recebeu uma graduação com 15 anos e transferiu-se para a Universidade de Ingolstadt três anos depois. Depois de cuidadoso estudo de Descartes e Wolff, Mesmer voltou-se para o exame do pensamento de Paracelso e seu trabalho rendeu-lhe o grau de Doutor em Filosofia. Embora estudasse Direito durante algum tempo em Viena, seu amor pelos escritos de Paracelso levaram-no a abraçar a Medicina. Tendo completado seus exames com trinta e dois anos, escreveu uma tese sobre Paracelso intitulada 'De Planetarium Influxu', 'Da Influência dos Planetas' sobre o corpo humano. Ele sugeria que os planetas liberavam emanações que fluíam para dentro e através de toda vida pela "intensificação e remissão". Embora um trabalho controverso e visionário, seu entendimento superior da prática médica deu-lhe a graduação médica em 1766. Mesmer apresentava uma permanente sensibilidade para com as necessidades dos pobres, assistindo-os sem cobrar, enquanto que ganhava sua vida tratando daqueles que poderiam pagar por seus cuidados. Também devotava algum tempo à música. Leopold Mozart veio a ele para tratar-se e logo Mesmer encontrou o jovem Wolfgang Amadeus, cujo prodigioso gênio ele reconheceu imediatamente. Em 1768 Mesmer casou-se com uma viúva dez anos mais velha e construiu um palacete na Landstrasse, um bairro vienense conhecido pelos seus moradores Rosacruzes. A propriedade incluía charmosos jardins rococó e um pequeno teatro. Durante este agradável período de sua vida Mesmer freqüentemente convidava músicos e tocava com Haydn e Mozart. Quando Mozart ofereceu sua primeira ópera para execução, com a idade de doze anos, o Diretor da Ópera Imperial recusou-se a executá-la sob alegação de que ninguém daquela idade poderia tê-la escrito. Mesmer imediatamente arranjou para que a obra fosse executada em seu próprio teatro. Em gratidão por esta amizade, Mozart prestou uma permanente homenagem musical a Mesmer em sua ópera 'Così Fan Tutte'. Em 1773 e 1774 Mesmer acolheu Franziska Osterlin em sua própria casa para cuidados e tratamento. Ela sofria de freqüentes convulsões, que por sua vez causavam severas dores em seus ouvidos, delírios, vômitos e desmaios. Um estudo detalhado de seus sintomas, sugeria que o movimento do fluido universal poderia ser facilmente observado nos fenômenos exibidos. Mesmer convenceu-se de que este fluido passava através tanto de corpos animados como inanimados. Na natureza orgânica ele era mais facilmente observado nas propriedades do magnetismo, e Mesmer chamou seu correlato no corpo humano de "magnetismo animal". Convencido de que o alívio temporário que ele havia proporcionado periodicamente poderia se tornar uma cura permanente se reforçado de modo apropriado, Mesmer procurou diversos magnetos junto ao Jesuíta Padre Hell, Professor de Astronomia em Viena, e usou-os para sustar as convulsões. A moça melhorou e por fim recuperou a saúde perfeita, casou e teve filhos. Estes experimentos ensinaram a Mesmer que o poder do magneto sozinho não era a fonte do efeito curativo. Uma vez que o "Agente Geral" ou magnetismo animal não poderia ser considerada a causa específica da cura, Mesmer percebeu que o poder de dirigir as correntes, que limpavam e restauravam os nervos do paciente, estava diretamente ligado à vontade do médico. Mesmer relatou suas descobertas ao Padre Hell, que imediatamente publicou-as sob seu próprio nome. Ele alegava que a forma e tamanho dos magnetos efetuava a cura quando adaptados adequadamente ao caso, e louvava os magnetos como panacéia para todos os distúrbios. Mesmer sabia que ambas as asserções eram falsas e publicou um anúncio sobre a natureza do magnetismo animal, mas o renome do Padre Hell como astrônomo desviou a atenção pública. Mesmer convidou o Barão von Stoerck, Presidente da Faculdade de Medicina em Viena e Médico-Chefe da Imperatriz Maria Theresia, para testemunhar suas operações e curas. O Barão replicou que ele não queria ouvir nada sobre a teoria e método do magnetismo animal, pois isso poderia comprometer a Faculdade. Mesmer respondeu a esta recusa publicando uma 'Carta a um Médico Estrangeiro', em janeiro de 1775. Ele notou que o magnetismo animal apresentava propriedades análogas à eletricidade e ao magnetismo. "Todos os corpos, como o magneto, são capazes de transmitir este princípio magnético; este fluido penetra em tudo e pode ser armazenado e concentrado, como o fluido elétrico; ele age à distância; corpos animados são divididos em duas classes, uma sendo suscetível a este magnetismo e a outra a uma qualidade oposta que suprime sua ação". A maioria dos membros da comunidade científica continuava a confundir o magnetismo animal com os poderes dos magnetos e questionava a veracidade das experiências de Mesmer. Não obstante, quando Mesmer viajou para Berna e Zurique, os doutores ficaram maravilhados com seu tratamento de casos desesperados. O Eleitor da Baviera consultou Mesmer em Munique e a Academia Bávara de Ciências tornou-o membro seu, enquanto que a Academia de Augsburgo o elogiou. Em 1776 Mesmer foi visitado pelo Conde de Saint-Germain. O encontro foi mantido no mais estrito sigilo por ambos os homens, embora pareça que eles tenham discutido os aspectos mais elevados do magnetismo e a necessidade de distinguir completamente o magnetismo animal do magneto. Mesmer escreveu mais tarde: "No desejo de refutar todos estes erros de uma vez por todas, e fazer justiça à verdade, determinei-me a não fazer mais uso nenhum da eletricidade ou do magneto de 1776 em diante". A casa de Mesmer agora era um hospital. Diversos pacientes eram livres de desordens nervosas, incluindo cegueira. Herr von Paradis, Secretário do Imperador e da Imperatriz da Áustria, tinha uma filha, Marie-Therese, que se tornara inexplicavelmente cega na idade de três anos. Foi-lhe concedida uma pensão pela Imperatriz e ela era conhecida na corte. Depois de anos de tentativas infrutíferas de aliviar sua condição, Marie-Therese foi entregue aos cuidados de Mesmer. O titânico esforço de restaurar sua vista tomou tempo e sofreu diversos recuos, mas por fim ela teve sua visão completamente de volta. Herr von Paradis publicou um relato integral da cura nos jornais e expressou publicamente sua gratidão. Funcionários da Faculdade de Medicina testemunharam os resultados, e até mesmo o Barão von Stoerck desculpou-se por ter anteriormente ignorado o trabalho de Mesmer. Diversos médicos ultrajados declararam que a cura era fraudulenta e uma impostura porque Marie-Therese não podia reconhecer e nomear objetos que ela declaradamente via pela primeira vez em sua vida. Rumores e intrigas palacianas sugeriam que, uma vez que Marie-Therese podia ver, sua pensão devia ser revogada, e mesmo que o pai seria parte de uma intriga para denegrir a profissão médica. Por duas vezes Marie-Therese foi tirada dos cuidados de Mesmer, e depois de violentas cenas nas quais ela protestou contra sua remoção forçada, sua cegueira e convulsões voltaram. Herr von Paradis declarou então que a cura era uma fraude e uniu-se a um coro de vozes que clamava pela condenação régia de Mesmer. Embora um número de altos oficiais, incluindo o Conselheiro Áulico e o Diretor da Chancelaria de Estado, testemunhassem sob juramento seus métodos e descobertas, Mesmer sentiu-se esgotado. Ele deixou Viena e viajou para relaxar e conseguir algum repouso. Chegando em Paris em fevereiro de 1778, foi tratado com gentileza pela Faculdade de Paris e obteve o patrocínio de Maria Antonieta. Para provar seu sistema, ele aceitou os piores casos que a Faculdade e os hospitais podiam arranjar, e efetuou curas que suscitaram lovour. Visitado agora pela nobreza francesa e austríaca, e patrocinado pelo Dr. d'Eslon, Médico do Conde d'Artois, da Princesa de Lamballe, do Príncipe de Condé, do Dique de Boubon e de Lafayette, Mesmer encontrou a segurança e interesse que Viena lhe recusara. Ele converteu a Mansão Bouillon em um hospital e tratava os pacientes gratuitamente. Mesmer publicou uma 'História da descoberta do Magnetismo Animal' em 1779, na qual ele enumerava seus experimentos, e acrescentava a eles vinte e sete proposições. Ele declarava que: "Só a experiência vai dissipar as nuvens e lançar luz sobre esta importante verdade: que a Natureza oferece meios universais de cura e preservação do homem".

As seis primeiras proposições estabelecem a existência e atividade cíclica do magnetismo animal:

  1. Existe uma influência mútua entre os Corpos Celestes, a Terra e os Corpos Animados.
  2. Um fluido universalmente distribuído e contínuo, que é muito diferente do vácuo e de natureza incomparavelmente rarefeita, e por cuja natureza é capaz de receber, propagar e transmitir todas as impressões de movimento, é o meio desta influência.
  3. Esta ação recíproca é subordinada a leis mecânicas que são até então desconhecidas.
  4. Esta ação resulta em efeitos alternados que podem ser considerados como um Fluxo e Refluxo.
  5. Este fluxo e refluxo é mais um menos geral, mais ou menos particular, mais ou menos compósito, de acordo com a natureza das causas que o determinam.
  6. É por esta operação (a mais universal daquelas apresentadas pela Natureza) que as proporções de atividade são estabelecidas entre os corpos celestes, a terra e suas partes componentes.

As quatro proposições seguintes explicam a relação do magnetismo animal com a matéria e fazem uma analogia com o magneto:

  1. As propriedades da Matéria e dos Corpos Orgânicos dependem desta operação.
  2. O corpo animal suporta o efeito alternado deste agente que, insinuando-se na substância dos nervos, afeta-os imediatamente.
  3. É particularmente manifesto no corpo humano que o agente tem propriedades similares às do magneto; pólos diferentes e opostos podem igualmente ser distinguidos e podem ser mudados, comunicados, anulados e reforçados; até mesmo o fenômeno de oscilação é observado.
  4. Esta propriedade do corpo animal, que o deixa sob a influência dos corpos celestes e das ações recíprocas daqueles que o rodeiam, como demonstrado pela sua analogia com o Magneto, induziu-me a denominá-la MAGNETISMO ANIMAL.

Depois de três proposições sobre a comunicabilidade do magnetismo animal, Mesmer compara sua atividade às da luz, som e eletricidade:

  1. Sua ação é exercida à distância, sem auxílio de um corpo intermediário.
  2. É intensificado e refletido por espelhos, assim como a luz.
  3. É comunicado e intensificado pelo som.
  4. Esta propriedade magnética pode ser armazenada, concentrada e transportada.

Ele sugere que existe uma força positiva oposta que poucos corpos contêm e que tem características similares ao magnetismo animal. Então ele explica a diferença entre magnetismo animal e mineral e mostra a relação entre eles:

  1. O Magneto, tanto o natural como o artificial, junto com outras substâncias, é suscetível ao Magnetismo Animal, e mesmo à propriedade oposta, sem que seu efeito sobre o ferro e a agulha sofram qualquer alteração em ambos os casos; isto prova que o princípio do Magnetismo Animal difere essencialmente do magnetismo mineral.
  2. Este sistema fornecerá novas explicações sobre a natureza do Fogo e da Luz, bem como sobre a teoria da atração, do fluxo e do refluxo, do magneto e da eletricidade.
  3. Fará conhecer que o magneto e a eletricidade artificial só têm, no que tange às doenças, propriedades que compartilham com diversos outros agentes providos pela Natureza, e que se efeitos úteis têm derivado do uso da última, eles são devidos ao Magnetismo Animal.

Mesmer conclui com a observação de que "o magnetismo animal pode curar desordens nervosas diretamente e outras desordens indiretamente". Ele pode ser usado junto com remédios, embora pressuponha uma nova teoria sobre a doença. Quando dominado, contudo, habilita o médico a aperfeiçoar sua arte de modo que possa tratar sem receio de fazer mal e assim "aliviar os sofrimentos da humanidade". A França ofereceu a Mesmer uma pensão em 1780, e ele viveu um período de relativa paz. Em 1782 ele uniu-se a Saint-Martin, Saint-germain e Cagliostro na Convenção Maçônica de Wilhelmsbad. Embora raramente aparecessem juntos em público, eram todos Maçons e membros da Fratres Lucis e mantinham comunicação privada. Um ano mais tarde, Mesmer fundou a Ordem da Harmonia Universal, ostensivamente para instrução sobre o magnetismo animal, mas secretamente para o ensino de antigas práticas de cura dos 'Asclepeia', ou templos de cura. Dentro de um ano as academias ortodoxas haviam reiterado seus antigos ataques, e em março de 1784 o Rei Luís ordenou uma investigação das teorias e tratamentos de Mesmer. Os acadêmicos indicaram um comitê que incluía entre seus membros Benjamin Franklin, então Embaixador Americano na França, o astrônomo Baille, o químico Lavoisier e o botânico Jussieu. A despeito da pressão das academias, seu compromisso com a observação na ciência impediu que negassem a eficácia das curas de Mesmer, mas suas concepções cruamente empíricas e Aristotélicas sobre o homem tornaram-lhes impossível a crença em um princípio - o magnetismo animal - que não podia ser diretamente percebido fisicamente. Seu relatório, publicado em 11 de agosto de 1784, afirmava a existência de curas admiráveis, mas sustentava que uma vez que o magnetismo animal em si não é observável diretamente, não pode existir, e portanto as curas deviam ser atribuídas á imaginação dos próprios pacientes. Assim, com base em um princípio que não é aceitável na ciência, e mesmo que as curas fossem admitidas e o comitê advertisse contra qualquer ação semelhante, Mesmer foi denunciado como impostor. Mesmer encontrou-se no meio do levante social e político. Em 1791 a Revolução forçou-o, ele agora na penúria, a deixar a França. Ele retirou-se então para a pequena cidade de Frauenfeld perto de Zurique, e discretamente tratava dos camponeses locais sem revelar sua identidade. Um pequeno volume, "Memórias de F.A.Mesmer", apareceu em 1799. Mais uma vez ele explicava os fundamentos de sua teoria, mas agora mergulhava no verdadeiro coração da operação magnética. "Nós possuímos um sentido interior que está em conexão com todo o universo, e que poderia ser considerado como uma extensão da visão. Possuímos a faculdade de sentir na harmonia universal a conexão dos eventos e seres com a nossa própria conservação... A comunicação da vontade reside em um tipo de convenção entre duas vontades, que poderiam ser ditas estar em sintonia". A chave para o uso curativo do magnetismo animal é a vontade do médico. Seu estado - a qualidade do desejo e da intenção que o motivam - é crítico para a cura. Daí que só aqueles que são qualificados em termos de força e pureza de vontade podem repetir com sucesso as experiências de Mesmer. Depois da ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, Mesmer recebeu uma nova pensão. Reconvocado a Paris, Mesmer encontrou uma fresca atmosfera de aceitação e testemunhou um contínuo aumento de sua fama. Por volta de 1812 o Rei da Prússia e a Academia Alemã ofereceram-lhe dinheiro e honras, mas ele recusou, para continuar viajando. Ele desejava, dizia, devotar-se exclusivamente á prática de seu método, de modo que a humanidade "não possa mais ser exposta aos incalculáveis riscos do uso das drogas e sua aplicação". Em 15 de março de 1815 ele discretamente abandonou o mundo depois de ouvir uma peça de música composta por Mozart e tocado em sua cópia do conjunto de vidros musicais inventado por Athanasius Kircher. A Real Sociedade de Paris e o governo alemão ofereceram postumamente prêmios pelos melhores tratados sobre o Mesmerismo, e um grupo de estudantes continuou suas experiências. Honrado no século XIX mas largamente despercebido, salvo pelos intuitivos, no século XX, Mesmer deixou uma clara delineação das bases da cura mental e fisiológica. Se houver um desvio das concepções patológicas da medicina em direção a um entendimento e prática fundados na vitalidade e harmonia, então uma agradecida humanidade prontamente apreciará Mesmer. Nora Wydenbruck, revisando suas vastas e permanentes conquistas - na medicina, obra social e elevação do espírito humano - conclui: "Considerado do ponto de vista privilegiado da história, quando os fios trançados do destino humano aparecem coordenados no desenho de toda a grande tapeçaria, a vida de Mesmer aparece como um fio de ouro brilhante"."



Autor: Elton Hall

Revisor: Osmar de Carvalho

Fonte: http://216.239.51.104/search?q=cache:iH8CAOSvQgcJ:www.teosofia.com.br/inst-022.php+%22mesmer%22&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=4

Data de acesso: 29/01/06


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